Uma PoetisA Qualquer

Sobre uma vida, expectativas e tempo.

Mais um

Arquivar em: Distração — Uma PoetisA Qualquer at 12:55 am on Sábado, Julho 4, 2009

Tudo bem simples, tudo natural. E embalada por esta nobre balada eu arrisco começar. Não sei sobre o quê quero falar, não sei para quem estou falando, só sei que preciso disto, mas também não sei porquê. Mas isto também é irrelevante, posto que eu não preciso de razões, eu não preciso de razões cegas; preciso apenas de um pouco mais do que de mim mesma. Preciso de alguém que não sei quem é, de algo que ainda não comprei, de um lugar que há muito eu não visito. Em virtude de todo esse colapso que sofri que balançou os meus dias, eu passei a buscar estratégias para me desvencilhar do foco que estava tendo nos problemas e comecei a me concentrar nas soluções. Apesar de isto me lembrar exatas – disciplinas nas quais não tenho tido bom rendimento escolar – sei que soluções são o meu objetivo e terei infinito mérito ao conseguir encontrá-las. Estou tentando retomar o velho hábito de ter escritos à mão, mesmo valorizando as letras padronizadas e organizadas de uma página na web. Nada substitui um bom e velho caderno, uma boa e velha caneta, uma boa e velha hora de imaginação. Tenho usado as noites antes de dormir, da mesma maneira que costumava fazer e acho que será uma ótima ideia voltar a externar os meus pensamentos sem me preocupar com o que os outros acharão deles; estes pertencem a mim, e só a mim. Nada nem ninguém interferirá nem se tornará responsável por palavra nenhuma que eu escrever ali. Todas aquelas páginas são minhas e farei o que quiser com elas. Elas são minhas. E é isto, talvez este leve desabafo sobre a responsabilidade das produções de minha autoria tenha sido o meu objetivo principal de todas estas linhas quase inúteis. Ainda bem que disse quase; não foram. Nada – e eu digo nada quando é nada mesmo – nada é em vão
E essa nostalgia me envolve, me engole, me derrota!

T.

Desabafo

Arquivar em: CS — Uma PoetisA Qualquer at 4:58 pm on Domingo, Junho 28, 2009

“Estou cansada do meu cansaço…”

Eu estou cansada dessas pessoas, dessas caras amassadas e cheias de desejos absurdos e patéticos. Estou cansada de ser sufocada pelo ego das pessoas piores que eu e de ter que encará-las todas as manhãs sem reclamar. Estou cansada de ir ao mesmo lugar, do mesmo trajeto, das mesmas desculpas sem nexo. Estou cansada do meu cansaço perante tudo o que enxergo ou sinto; eu me cansei. Me cansei das minhas palavras, dos meus gestos, me cansei de repetir diversas vezes aquilo que eu quero que acreditem. Me cansei dos meus argumentos fracos e da proliferação de pessoas sem imaginação.
Deu pra entender por que eu me cansei de ser normal?

T.

De volta

Arquivar em: Sem Categoria — Uma PoetisA Qualquer at 8:00 pm on Quarta-feira, Junho 17, 2009

Finalmente eu sinto voltar. Admito que estava sentindo falta de escrever algumas palavras, ainda que avulsas, para tentar me encontrar. É preciso que eu retome, portanto, tudo o que passei e que conte o que mudou. E muita coisa mudou.

Ok, eu continuo no mesmo recanto urbano, na mesma correria frenética em busca de tempo – aquele mesmo tempo que eu desperdiço mesmo sabendo que está escorrendo pelos dedos das minhas mãos. Continuo com o mesmo cabelo, com as mesmas unhas por fazer, a mesma sobrancelha por pinçar. Mas, honestamente, não me importo com estas miudezas. É certo que mudei, e muito, e o que ficou igual é justamente o que sou eu de verdade.

Resolvi arriscar converter meus dias sombrios em dias de felicidade e alívio. Falei. Fui sincera, direta e firme (e poderiam inclusive dizer que eu fui insensata e sádica mas, acredite, eu fui verdadeira) e tirei toda a responsabilidade da minha infelicidade de mim. Me senti bem, não guardo mágoas, apenas espero ainda com fé que ele compreenda que só o que fiz foi deixar de lado o meu senso de altruísmo e pensar um pouco mais em mim. Acho que Deus não se zangou comigo e, se tiver se zangado, com um pouco de oração eu convenço aquele simpático Senhor de que eu fui original e sutil. Enfim, desde então – teoricamente – D. não faz mais parte dos meus dias como já fez, e se depender de mim, desta forma, nunca mais fará. Isto foi uma mudaça radical, já que meus fins de semana não mais se ocupam de silêncio (uau, que paradoxo!…) e de acompanhadas sessões de solidão. Isto me fez feliz e agora, neste exato instante, mesmo com tudo o que tem acontecido, eu estou feliz.

Quanto ao I., negativo, nada, necas, niente. Não vou me cobrar tanto quando em relação a ele, afinal… ah, afinal eu sou extremamente acomodada. Uns dias ele ainda me faz muito mal e eu penso muito em consertar o que ele estragou, mas logo já vejo minha insignificância e vejo também que nada que eu fizer vai modificar o estado no qual nos encontramos. Mas esse caso já é de outros carnavais e eu odeio carnavais. Whatever.

Obviamente não conseguiria resumir as ultimas x semanas aqui de uma única vez, mas numa tentativa bem sucedida, acho que deu pra atualizar um pouco a história de todas as canções que me permeiam o outono, este outono quente no sol e frio na sombra, um outono de descobertas e sutilezas perceptiveis a olho nu.

E os pensamentos?
Voam… e caem no chão como as folhas secas que a gente pisa pelo mundo afora…!

T.

Uma eu de mim.

Arquivar em: CS — Uma PoetisA Qualquer at 7:30 pm on Terça-feira, Junho 9, 2009

Esta noite eu quis ser eu. Ao menos por um minuto, ao menos por mim. Eu quis ser eu porque acredito na força que tem o meu verdadeiro eu. Eu queria, esta noite, ser decidida, com ideias formadas, incisiva. Eu queria não ser tão relapsa comigo mesma, com os outros e com as coisas, minhas e dos outros. Eu queria escrever algumas linhas, compor algumas canções, conquistar pessoas. Esta noite eu queria fazer uma ou duas ligações decisivas, dizer o quanto sinto por não ser capaz de declarar que eu o amo, mesmo com tudo o que ele me fez passar, por todas as mentiras que ele disse, por sua ausência que eu sentia e sinto, até hoje, tendo que esconder. Dizer pra ele que o amo, mesmo assim, mas que é difícil amar alguém que não tem cumplicidade para fazer valer tantos anos, tantas coisas que foram construídas sobre um sentimento que sempre julgamos ser amor. Eu queria dizer o quanto fico triste com sua postura, queria ter coragem para colocá-lo sem saída, para que ele pudesse me responder com sinceridade o que foi que aconteceu que acabou com isto tudo que era tão forte e tão eterno para mim. Hoje eu sei que a eternidade é um estado passageiro, e, me perdendo as minhas próprias antíteses, eu arrisco dizer que já tive momentos eternos que hoje me restam como simples lembranças. Numa outra ligação eu diria que meu coração bateu na boca, forte, alto e tive até medo de que alguém o pudesse ouvir, de qualquer lugar do mundo. Dizer o quanto sua presença mexe comigo, com essa minha fé sofrida de acreditar que sou capaz de ter o que desejar, com minha boa vontade, oportunidades e dedicação. Então eu leria todas as mil páginas dedicadas a ele com fervor e arriscaria questioná-lo sobre as reais chances que tenho. Esta noite eu quis discar, escrever, enviar, tocar. Esta noite eu quis ser a princesa que ele viu e abraçou. Eu quis ser a pessoa mais linda deste lado do mundo e ir até sua porta. Eu quis ser upaq e T., para falar por mim e por elas tudo o que diz respeito ao modo como tenho me sentido. Falar em nome delas sobre o meu cansaço, sobre o tédio, sobre o que sinto quando vejo todas aquelas mesmas caras, todas aquelas mesmas pessoas querendo se mostrar, querendo ganhar as outras, querendo se submeter à vergonha de se disfarçarem a fim de tentarem ser especiais, únicas, irresistíveis. Falar por elas dos meus velhos sentimentos por pessoas velhas e novas, das dores que sinto que nem sei de onde vêm mas que me perturbam com uma constância desanimadora. Queria esta noite tomar um comprimido de ânimo e enegria pra derrotar essa saudade que é grande de tempos que nunca vivi, de pessoas que nunca me pertenceram, de sentimentos que nunca foram os meus; queria alcançar paz andando por um jardim calmo e florido, em meio a tanta fumaça, poeira e solidão. Esta noite eu quis ser uma eu de mim constante, persuasiva, direta. Quis fazer com que o mundo inteiro me visse por mérito, não por uma tentativa constrangedora de tentar chamar atenção. Queria ser original, não ser tão clichê e tão inconveniente. Apenas por um minuto, e por mim, talvez eu tenha sido eu. Em termos, em palavras, tecnicamente. Uma eu de mim que às vezes foge, que às vezes eu mesma desconheço. Minha sinceridade avulsa me condenou e por algumas linhas eu me fiz ser vista, me fiz ser eu. Não que eu tenha convencido alguém, não que eu tenha forjado uma naturalidade que não me cabe; esta que escreve sou eu. Foi apenas por alguns minutos e, definitivamente, foi por mim.

T.

Minha coragem covarde

Arquivar em: CS — Uma PoetisA Qualquer at 7:21 pm on Segunda-feira, Maio 25, 2009

E foi acidental o fato de ter resolvido voltar um mês depois de ter decidido parar, extamente um mês. Eu me pus a pensar para escrever isto e foi com tristeza que constatei que depois de um mês – 30 dias – me parece que nada mudou. Tudo bem, admito mudanças interiores e arrisco dizer que meu pensamento até mudou um pouco, mas nada relevante, nada notável que me faça dizer que este tempo me for de boa serventia. Na verdade não serviu para nada, acredito ter vegetado neste último mês. Eu estava em todos os lugares mas não estava lá; eu não sentia que estava em lugar algum. Estava imparcial, morta. Eu não estou feliz.
Juro que não falo por maldade, longe de mim, mas penso que ser real é melhor que depois ter que criar argumentos falsos para tentar explicar alguma atitude por mim tomada. Eu constatei também que sou uma tremenda covarde, que não sou capaz de dizer o que tem que ser dito na cara, assim, de sopetão, do melhor jeito que há para se dizer a verdade. Eu sou COVARDE! A verdade está me incomodando porque ela não tem me feito feliz, Com relação ao I. (imencionável) ou ao D.
Eu só queria resolver estas pendências…

T.

Futuro

Arquivar em: Sem Categoria — Uma PoetisA Qualquer at 1:58 am on Sexta-feira, Abril 24, 2009

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Eu me pego pensando

Como vai ser o mundo daqui a uns vinte anos

E não sei tentar entender

Quem nós somos e onde estamos

E não só eu penso no mundo

Penso no mundo que é o meu

Num futuro ainda incerto

No que é o meu, no que é o seu… 

Futuro (in)certo

Arquivar em: Distração — Uma PoetisA Qualquer at 1:23 am on Sexta-feira, Abril 24, 2009

Futuro. Futurismo. Futurístico. Futuramente. Irrefutável. Não sei o que esta última tem a ver com as demais, mas, como ela saiu então é provável que ela tenha algum sentido. Resolvi procurar.

U-A-U. Irrefutável. adj. masc.: evidente, incontestável.

Mesmo que meu futuro não seja irrefutável, é fato que esta palavra esteja permeando meus pensamentos e escritos mais notáveis por esses últimos dias. Chega a parecer claro aquilo que um dia foi totalmente inadmissível, que jamais podia ser levado em conta, improvável. Minhas decisões a partir de hoje também serão irrefutáveis, não vai adiantar. Que sejam persuasivos, que me pressionem, que façam apologia a ideias contrárias às minhas; eu não vou me importar. Vou decidir o que quiser, o que for melhor pra mim. Vou ser criativa e tentar fazer com que eu me torne cada dia mais coerente em relação ao que digo e faço, para não ser hipócrita – conduta que radicalmente eu critico – e me tornar o mais repugnante dos mortais. Mas enfim, retomando o assunto (pertinente) do futuro, ele é tão incerto que às vezes acho que chega a ser utópico. Penso no futuro e me remeto à inexatidão, à pobreza espiritual, à tecnologia, à velocidade e, bom, sem querer eu penso em coisas como gravidez e casamento. O meu futuro definitivamente não pertence a mim, mas diariamente eu faço um pouco dele, eu vou montando-o quase sem expectativa, meio sem entender. Eu articulo os meus projetos a curto prazo, tento organizar meus dias – e noites, inorganizáveis… – para que eu possa plantar boas sementes e mais tarde colher belos frutos, cheios de amor e satisfação. E lá vou eu de novo me metendo entre metáforas botânicas, quase sem querer. Talvez estas metáforas botânicas sejam algum aviso subliminar com relação ao meu futuro, nunca se sabe.! Mas enquanto ele é incerto só me resta aguardar, como em uma ligação telefônica a algum tempo atrás, ou como uma ligação telefônica hoje, quando conversamos com pessoas sem vida, que nos indicam números e, no cúmulo da solidão, ocupam o silêncio da ligação com musiquinhas e propagandas. Não quero meu futuro permeado de solidão, tampouco de musiquinhas, muito menos de propagandas. Quero um futuro bonito, colorido. Informal. Sem preocupações demais, sem trabalho demais, sem neuras. Sem me preocupar com G.'s, ou D.'s nem com E.'s. Não quero muito, ficaria satisfeita em simplesmente ter um futuro…!

T. 

Flor(es)

Arquivar em: Alegorias — Uma PoetisA Qualquer at 12:22 am on Sexta-feira, Abril 24, 2009

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Eu conto a flor e carrego bem dentro

Lá dentro, no centro

Do meu pensamento

A flor se assemelha

A uma estrelinha

Pequena, brilhante

Que é só, e só minha! 

Indecisão

Arquivar em: Alegorias — Uma PoetisA Qualquer at 11:12 pm on Quinta-feira, Abril 23, 2009

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Se não sei onde vou

Também não sei onde estive

Não sabendo quem eu sou

Não compreendo quem vive

Sou um ser e sou real

E eu sei que quero ser

Alguém que seja normal

Mas não tenha de escolher

Sobre Mim & Eles

Arquivar em: CS — Uma PoetisA Qualquer at 10:44 pm on Quinta-feira, Abril 23, 2009

Não sei se é normal depois de um tempo eu querer fugir, talvez de tédio ou uma raiva esquisita que mal sei de onde vem. O problema é que este 'tempo' foi, na minha escala de tempo, pouco tempo demais. Quem sabe isto não quer dizer algo? E falando em querer dizer, ontem eu quis dizer e quis fazer várias coisas – esqueça, esqueça, coisas são vagas demais… – e, graças a Deus eu não fiz nada que não pudesse e acabei descobrindo algo totalmente inusitado, algo totalmente claro que só eu mesma não era capaz de admitir. (Viu só? Eu mesma disse "admitir"; eu já sabia, só não conseguia aceitar.)

A clareza me bateu sutil; por pouco, mais uma vez eu não perceberia. Eu entendi, finalmente, o que diabos está acontecendo dentro de mim. Está bem, não generalizando tanto, mas enfim. A verdade é que, não é que eu queira um ou queira o outro ou queira ambos… Na verdade eu não quero nenhum! Aos dois quero muito bem, mas o que mais quero, de fato, é não querer ninguém. Eu quero não precisar de ninguém. Eu quero que meu humor ou boa-vontade não sejam ditados por rapazes que não sabem ser categóricos. Eu quero minha auto-estima de volta, quero não me preocupar com mais ninguém além de mim mesma e das pessoas que me amem de verdade, como minha família e os meus amigos. Sei que hoje isto não é posível, e, ah, o quanto isto me abate, mas ao menos agora eu já sei onde está a raiz do problema, e talve agora eu seja capaz de saná-lo.

Hoje eu tenho vontade de voltar a ser mim mesma, sem grandes expectativas, sem ser maravilhosa, sem tentar ser popular, sendo simplesmente eu mesma. Eu quero muito algumas qualidades minhas de volta como o meu empenho "profissional", minha imaginação fértil, minha memória não mais tão volátil e/ou seletiva… Eu quero de volta o meu desapego, minha capacidade de deixar que as coisas aconteçam sem o meu pobre consentimento… Eu quero o meu sorriso torto, minhas mãos sãs, quero o meu leite com chocolate todas as manhãs… Quero voltar a comemorar datas festivas com alegria de fato, pelo simples fato de elas serem um motivo de festejar… Hoje eu desejei nunca mais fraquejar e ser uma pessoa amiga, confidente, passiva, paciente, calada e intransponível. Ser persuasiva mas mutável, ser firme mas aberta. Quero fazer disto uma meta – talvez esta não seja a palavra, mas é preferível que eu use-a até para dar mais veracidade à proposta -, quero conseguir voltar a ser eu mesma. Não sei se o D. vai ser um atalho ou um desvio, não sei se ele vai me fazer continuar esta outra estranha de mim ou vai me permitir mudar o (pouco) que ele conhece de mim e passar a ser eu mesma de fato, a boa e velha O., que eu sempre, sempre fui. 

"Deixa pra lá o que não interessa, a gente não tem pressa de viver assim… Feito platéia da nossa própria peça, histórias, prosas rimas, sem começo e fim…" 

T. 

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